O descaso com a prevenção
O
velho e sempre bom conselheiro ditado “melhor prevenir do que remediar” parece não
fazer eco naqueles que tem a representação popular para gerir o destino das nação,
estado, cidades e pessoas. Quem não sabe, por exemplo, que os verões do Rio
Grande do Sul são extremamente quentes e secos e os invernos extremamente
frios, úmidos e chuvosos? Pois é, mais entra ano, sai ano, e regiões inteiras
sofrem com a escassez de água (para
beber e para plantar) nos meses de verão e com as doenças respiratórias e epidêmicas
(como a gripe A) nos meses de inverno. E qual é o histórico de ações do poder público?
Promessas de melhorias durante as crises sazonais e muito pouca praticidade nos
períodos que as antecedem.
Posso
estar errado, mas prá mim é básico: Chove muito no inverno? Então devemos reservar
o volume excedente para uso nos meses de seca. As doenças provocadas pelo frio
e pela umidade são freqüentes nos meses de inverno? Então que se abasteça os
postos de saúde antecipadamente e em volume adequado. E que se mobilize a
população para se vacinar. Mas parece que o óbvio não é bem vindo para as
autoridades de plantão.
Com
relação ao problema da seca, por exemplo, já houve inúmeras propostas de solução,
desde a construção de barragens e perfuração de poços artesianos e construção de cisternas,
até a implantação de um sistema de drenagem semelhante ao usado em Israel,
considerado um dos mais eficientes do mundo. Blá, blá, blá. Querem apostar
comigo que no próximo verão vai ter seca e novamente não teremos soluções
adequadas para combatê-la? Os jornais de hoje dão conta de que o Governo do
Estado vai anunciar ações preventivas de proteção aos agricultores nos períodos
de estiagem. Oxalá seja verdade e que as medidas sejam eficientes. Pelo menos
para minimizar o problema.
Da
mesma forma, precisou haver um surto de aparecimento de gripe A (infelizmente
com várias mortes) para que o estoque de vacinas fosse reforçado e a população
finalmente despertasse para a necessidade de se precaver contra a doença. As grandes filas em frente aos postos de saúde atestam isso. O que
se lastima é que as providências saneadoras chegam sempre com
atraso. Ou seja, depois do prejuízo ter acontecido. Isto é “chorar sobre o
leite derramado”. E não pensem que esta realidade é coisa de localidade do
interior. Aqui mesmo
Estamos
em período eleitoral e vamos ouvir falar muito em qualidade de vida e de gestão.
Mais do que ouvir, é hora de cobrar. E não me refiro as obras da Copa ou outras
de grande porte (como o metrô, a nova ponte do Guaíba e a revitalização do cais
do porto), embora sejam necessárias, e sim do cumprimento das obrigações
constitucionais do poder público, que é oferecer saúde, educação e segurança. Fazendo
bem este dever de casa a situação já irá melhorar muito. E acrescento outra
necessidade básica aos futuros prefeitos e legisladores municipais: cuidem
melhor do saneamento. Cada real investido no setor representa uma economia de
quatro reais nos gastos com a saúde, dizem os especialistas. Escolher bem os futuros administradores de
nossas cidades, estado e país, é prevenir males futuros. É vacinar-se contra o
descaso.
Imagens: jornaldasmissões e rac.com.br

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