quinta-feira, 12 de julho de 2012


O descaso com a prevenção

O velho e sempre bom conselheiro ditado “melhor prevenir do que remediar” parece não fazer eco naqueles que tem a representação popular para gerir o destino das nação, estado, cidades e pessoas. Quem não sabe, por exemplo, que os verões do Rio Grande do Sul são extremamente quentes e secos e os invernos extremamente frios, úmidos e chuvosos? Pois é, mais entra ano, sai ano, e regiões inteiras sofrem com a escassez de água  (para beber e para plantar) nos meses de verão e com as doenças respiratórias e epidêmicas (como a gripe A) nos meses de inverno. E qual é o histórico de ações do poder público? Promessas de melhorias durante as crises sazonais e muito pouca praticidade nos períodos que as antecedem.

Posso estar errado, mas prá mim é básico: Chove muito no inverno? Então devemos reservar o volume excedente para uso nos meses de seca. As doenças provocadas pelo frio e pela umidade são freqüentes nos meses de inverno? Então que se abasteça os postos de saúde antecipadamente e em volume adequado. E que se mobilize a população para se vacinar. Mas parece que o óbvio não é bem vindo para as autoridades de plantão.

Com relação ao problema da seca, por exemplo, já houve inúmeras propostas de solução, desde a construção de barragens e perfuração de poços artesianos e construção de cisternas, até a implantação de um sistema de drenagem semelhante ao usado em Israel, considerado um dos mais eficientes do mundo. Blá, blá, blá. Querem apostar comigo que no próximo verão vai ter seca e novamente não teremos soluções adequadas para combatê-la? Os jornais de hoje dão conta de que o Governo do Estado vai anunciar ações preventivas de proteção aos agricultores nos períodos de estiagem. Oxalá seja verdade e que as medidas sejam eficientes. Pelo menos para minimizar o problema.

Da mesma forma, precisou haver um surto de aparecimento de gripe A (infelizmente com várias mortes) para que o estoque de vacinas fosse reforçado e a população finalmente despertasse para a necessidade de se precaver contra a doença. As grandes filas em frente aos postos de saúde atestam isso. O que se lastima é que as providências saneadoras chegam sempre com atraso. Ou seja, depois do prejuízo ter acontecido. Isto é “chorar sobre o leite derramado”. E não pensem que esta realidade é coisa de localidade do interior. Aqui mesmo em Porto Alegre tem gente sofrendo com a falta d’água. Moro perto do DMAE e sou testemunha dos diversos caminhões pipa que diariamente são abastecidos e se deslocam para locais onde são ansiosamente aguardados.

Estamos em período eleitoral e vamos ouvir falar muito em qualidade de vida e de gestão. Mais do que ouvir, é hora de cobrar. E não me refiro as obras da Copa ou outras de grande porte (como o metrô, a nova ponte do Guaíba e a revitalização do cais do porto), embora sejam necessárias, e sim do cumprimento das obrigações constitucionais do poder público, que é oferecer saúde, educação e segurança. Fazendo bem este dever de casa a situação já irá melhorar muito. E acrescento outra necessidade básica aos futuros prefeitos e legisladores municipais: cuidem melhor do saneamento. Cada real investido no setor representa uma economia de quatro reais nos gastos com a saúde, dizem os especialistas.  Escolher bem os futuros administradores de nossas cidades, estado e país, é prevenir males futuros. É vacinar-se contra o descaso. 
Imagens: jornaldasmissões e rac.com.br

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