Debate da Rádio Guaíba mostra que
a
campanha eleitoral ainda não
decolou
Quem ouviu o debate promovido pela Rádio Guaíba deve ter ficado
mais confuso do que estava antes de ligar o rádio. Poucas e raras propostas. E quase nenhum
embate entre os três candidatos melhor situados nas pesquisas. O primeiro
deles, envolvendo Manuela e Adão Villaverde, aconteceu só uma hora e meia
depois do início do programa. A surpresa do debate, se é que podemos assim
caracterizar, foi o uso da belicosidade nata do candidato do PSol, Roberto
Robaina, contra a candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila. Fico a me perguntar o porquê
disso? E são muitas as suposições.
Aliás, apesar do desprendimento intelectual e da facilidade de
oratória dos candidatos do PSol, PSTU, PSL e PSDB, suas participações são de
meros figurantes dos debates, só sobressaindo-se quando partem para o ataque político-partidário.
Atrativo, mas irrelevante para a decisão do voto do eleitor. Já o principal
protagonista, José Fortunati, saiu ileso, fruto das fracassadas tentativas de
criticar sua administração. Está com os números na ponta da língua. Quem quiser
derrotá-lo terá que se preparar muito.
Nesse sentido, Manuela conta com um inovador plano de governo
que, aliado a sua desenvoltura política e verbal, poderá abalar a confiança do
atual prefeito. Por fim, Adão Villaverde
mostrou-se ainda tímido na condição de candidato a um cargo majoritário. Precisa
ousar mais e pensar menos no segundo turno. Prá chegar lá tem que ocupar o
lugar de Fortunati ou de Manuela.
Também a formatação adotada pela Rádio Guaíba não facilitou o
deslanche do debate. Ortodoxa e com a cautela de não correr riscos, a formatação
do programa não explorou, por exemplo, a veia crítica e o humor sarcástico do seu
mediador, o jornalista Juremir Soares. Se o fizesse, certamente tornaria o
debate mais atraente, menos arrastado e, consequentemente, com maior audiência. Pelo menos a seleção de temas foi adequada. Mas terá a oportunidade de fazer melhor no segundo debate, marcado para o dia 28
de setembro.
Imagem: Correio do Povo

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