Rebeldia ou
anarquia?
Os
jornais de hoje registram dois fatos distintos mas que comprovam uma tendência
crescente e preocupante: a perigosa indisciplina juvenil. No primeiro deles, em
Gramado, três adolescentes atearam fogo no pavilhão que servia de depósito para
os enfeites do Gramado Luz. O segundo, em Caxias do Sul, gangues de jovens
formaram o que os cariocas denominaram de “Bondes”, e passaram a agredir
pessoas e danificar o patrimônio público e privado, levando o medo às ruas da
cidade serrana. Nos dois casos, a desculpa dos delinqüentes juvenis foi a
mesma: era apenas uma brincadeira.
Ora,
como provocar incêndios, agredir pessoas e provocar quebradeira pode ser
encarado como algo irrelevante? Esses jovens não receberam ensinamentos
adequados de suas famílias? Provavelmente receberam. Como filhos de pais classe
média, devem estudar em escolas caras, receber boa alimentação e outros
confortos da vida moderna, disponíveis às famílias mais abastadas. Mas então
por que adotam atitudes irresponsáveis? Por não terem limites. Se não respeitam
pais e familiares como irão respeitar estranhos. E vejam bem, no caso de
Gramado, é nítido o orgulho da comunidade pelo Natal Luz.
O
que mais me preocupa é que esses desvios de comportamento estão se tornando
lugar comum. Recordo do crime hediondo ocorrido no passado, em Brasília, onde
jovens, “por diversão”, atearam fogo num mendigo, levando-o a morte. Na ocasião
o país inteiro exigiu uma resposta firme das autoridades. Passado alguns meses,
episódios idênticos voltaram a ocorrer, até mesmo em outros estados.
É
claro que criminosos, independente da idade, devem ser punidos. Mas apenas
punir para servir de exemplo não resolve. É preciso ações preventivas para
evitar o surgimento de novos marginais nesta e nas futuras gerações. E isto, a
meu ver, passa pela educação. Em casa e na escola. Não basta às famílias
exercerem apenas o papel de mantenedora dos filhos.
Não
esqueço a frase que ouvi de um psicólogo. Disse-me ele: “Só tem uma coisa que o
jovem gosta mais do que a liberdade. Segurança”. E nada é mais seguro do que a
proteção dada pela família. Mas essa segurança tem que envolver diálogo e bons
exemplos. O pai que se mostra um motorista agressivo não pode reclamar que seu
filho tenha comportamento violento na escola ou na rua, apenas para dar um
exemplo. Da mesma forma, a escola, sob o argumento de evitar a prática do
bulling, não pode permitir que os alunos ofendam e até agridam os professores e
funcionários.
Em
época de Rio+20, quando tantos manifestaram preocupação com a preservação do
planeta para uso das futuras gerações, seria muito útil que cada cidadão fizesse
uma reflexão sobre o que está fazendo para criar seus filhos como um ente
social responsável, educado e civilizado. E até arrisco improvisar um slogan: “Não
deixe seu filho virar um delinqüente, a vítima pode ser você”.
Mas
as autoridades também precisam assumir suas responsabilidades. Só punir não
adianta. É preciso adotar medidas preventivas. Especialmente na área da educação.
Mas poderiam começar, por exemplo, restringindo imagens de violência na televisão
e nos games. Isso sem falar no combate ao
narcotráfico, tutor-mor dos jovens mal educados.
É
uma reflexão que faço em cima da constatação de que os jovens estão cada
vez mais anárquicos, sem limite e perdidos.

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