E agora?
E agora João?
A greve acabou.O salário atrasou.
E congelou.
O desconto chegou.
E o carteiro também.
E agora Maria?
O piso mofou.
A criança chorou.
A barriga roncou.
E a esperança morreu.
E agora João?
O imposto aumentou.
O desemprego atacou.
O rancho mingou.
E a promessa se foi.
E agora Maria?
O medo aumentou.
A escola piorou.
O hospital demorou.
E o traficante virou babá dos seus filhos.
E agora João?
A vergonha atacou.
A revolta transbordou.
O pranto rolou.
E o sonho acabou.
E agora Maria?
E agora João?
Como viver com tanta decepção.
De não poder voltar atrás.
E fazer tudo diferente.
Construir um novo presente.
Um futuro decente.
Para a gente.
E para esse Rio Grande doente.

